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quinta-feira, 7 de junho de 2012

António Lopes Ribeiro - Inauguração do Estádio Nacional - 1944

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Banda sonora - português
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Enviado por  em 08/02/2012
Inauguração do Estádio Nacional por António Lopes Ribeiro




Estádio Nacional. No início era o Estád(i)o Novo

Por Rui Catalão, publicado em 17 Maio 2012 - 03:10 | Actualizado há 3 semanas 1 hora
Hoje é conhecido como a casa da final da Taça de Portugal. O i recupera o dia da inauguração do estádio, inspirado no modelo alemão dos Jogos de 1936




Os carros vêm às centenas e de todo o lado. A curiosidade é grande. Portugal tem, ao fim de anos e anos de espera, um estádio à imagem dos países desenvolvidos. Ao todo, 60 mil pessoas seguem até ao Jamor para assistir à inauguração do Estádio Nacional. É dia 10 de Junho de 1944, a festa da raça e de Camões. O público chega antes de António de Oliveira Salazar, que aparece às 17h00. É “o atleta número 1 naquela festa de campeões”, como se ouvirá mais tarde no documentário de António Lopes Ribeiro, o cineasta do regime. Pouco depois é a vez de Óscar Carmona, “o árbitro dos destinos da nação na competição da história.” Ambos são recebidos com o hino nacional e uma ovação do povo, enquanto são lançados morteiros e foguetes.
A festa está lançada. O palco serve de sublimação ao Estado Novo. Salazar queria-o desde que, por exemplo, viu o que a Alemanha fez com os Jogos Olímpicos de Berlim, em 1936. Hitler mandara construir um estádio com 100 mil lugares, pronto a dar uma imagem perfeita da nação nazi. Duarte Pacheco, ministro das Obras Públicas e Comunicações, encarrega-se de pensar e comandar a criação de uma réplica do conceito alemão. Tanto assim que foram contratados Konrad Wiesner e Georg Gunder, dois arquitectos paisagistas alemães ligados às olimpíadas nazis.
Ora, pela porta da maratona entram 3600 filiados da Mocidade Portuguesa. São “3600 rapazes saudáveis e confiantes, esperança do hoje e garantia do amanhã português”, de acordo com o documentário. Desfilam pela pista, entram no relvado e fazem exercícios de ginástica enquanto a banda militar toca. “Todos nos lembramos de quando nos parecia impossível apresentar em Portugal semelhante espectáculo, quando olhávamos cheios de patriótico ciúme para as imagens dos grandes festivais ginásticos estrangeiros que o cinema trazia até nós; para os skols de Praga, para os alemães, para os finlandeses, para os americanos.” O cenário parece o que o Estádio Nacional vai receber mais de 50 anos mais tarde, quando os portugueses se juntarem neste relvado para formar o maior logótipo humano e a maior bandeira humana.
Entretanto é tempo para as competições de atletismo. Nos 100 metros, Alfredo Abrunhosa e Manuel Núncio dão a vitória ao Sporting. Os leões ganham também nos 800 metros, com João Jacinto a ser o mais rápido. Logo a seguir entram as raparigas da FNAT (Federação Nacional para a Alegria no Trabalho), a quem cabe mais um momento lúdico, com muita ginástica. No filme de Lopes Ribeiro repetem-se vezes a fio as ideias do Estado Novo. “Já não vivemos, graças a Deus, naquela época em que parecia mal às mulheres portuguesas cuidarem da higiene e da saúde do corpo, não se preparando convenientemente para a sua altíssima função.”
A parada prossegue com o desfile de praticantes de todas as modalidades: cavaleiros, pescadores de linha, caçadores, atiradores, tenistas, esgrimistas, remadores, velejadores, ciclistas, futebolistas, corredores, saltadores, lançadores de tudo e mais alguma coisa e até os atletas da academia coimbrã, cobertos pelas capas negras. É então que um atleta sobe ao púlpito para prestar homenagem aos chefes. Primeiro a Carmona – “sem vós, sem a continuidade da revolução, não teria sido possível o nosso ressurgimento, não teria sido possível, portanto, a construção do Estádio Nacional” – e depois a Salazar. “Devemos-te a esperança, devemos-te a paz, devemos-te o presente. Mas a partir de hoje a nossa dívida por vós é ainda maior. Devemos-te a certeza, devemos-te a alegria, devemos-te o futuro. Em nome de todos nós, em nome de todos aqueles que hão-de vir depois de nós, mais fortes e mais saudáveis, bem hajas, Salazar, por teres cumprido a tua promessa. Obrigado pelos séculos fora, obrigado para sempre.”
Só depois disto há espaço para o futebol. Sporting (campeão nacional) e Benfica (vencedor da Taça de Portugal) disputam dois troféus: a Taça Império (a Supertaça desta altura) e a Taça Estádio, criada pelo governo de Salazar. Nos leões, treinados por Joseph Szabo, vive-se a tragédia de António Marques, cuja mãe morre na véspera. Mesmo assim, e sem dormir, acaba por jogar, porque não há ninguém para substituí-lo.
O primeiro golo surge apenas na segunda parte, aos 60 minutos, por Peyroteo. O Sporting tem mais uma série de oportunidades para matar o jogo, mas não marca. Albano falha uma, falha outra e o Benfica empata, através de Espírito Santo, na sequência de um livre marcado por Albino. Ninguém desempata, por isso há prolongamento. Nessa meia hora, Peyroteo bisa e Eliseu faz o 3-1. O melhor que o Benfica consegue é um golo de Julinho para compor um pouco mais o resultado.


Leitão de Barros - "Exposição do Mundo Português - 1940 " e "Nau Portugal"




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banda sonora - português


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Enviado por VIRIATOSMILITARIA em 07/01/2012 .

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Enviado por MultimediaSeniorSet em 26/04/2011 .

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Enviado por merdinhas em 16/02/2007
Documentary film by Leitão de Barros.


A Exposição do Mundo Português (23 de Junho — 2 de Dezembro de 1940) foi um evento realizado em Lisboa à época do Estado Novo. Com o propósito de comemorar simultaneamente as datas da Fundação do Estado Português (1140) e da Restauração da Independência (1640), constituiu-se na maior de seu género realizada no país até à Expo 98.

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História

A exposição foi inaugurada em 23 de Junho de 1940 pelo Chefe de Estado, Marechal Carmona, acompanhado pelo Presidente do Conselho, Oliveira Salazar e pelo Ministro das Obras Públicas, Duarte Pacheco.

Os responsáveis pelo evento foram Augusto de Castro (Comissário-Geral), Sá e Melo (Comissário-Geral-Adjunto), José Leitão de Barros (Secretário-Geral) e Cottinelli Telmo (Arquitecto-Chefe), que incluía pavilhões temáticos relacionados com a história de Portugal, suas actividades económicas, cultura, regiões e territórios ultramarinos. Incluía ainda um pavilhão do Brasil, único país estrangeiro convidado.
O evento levou a uma completa renovação urbana da zona ocidental de Lisboa. A sua praça central deu origem à Praça do Império, uma das maiores da Europa. A maioria das edificações da exposição foi demolida ao seu término, restando apenas algumas como o actual Museu de Arte Popular e o Monumento aos Descobrimentos (reconstrução com base no original de madeira). A exposição levou também à construção de outras infraestruturas de apoio, como o Aeroporto da Portela.
Situada entre a margem direita do rio Tejo e o Mosteiro dos Jerónimos, ocupava cerca de 560 mil metros quadrados. Centrada no grande quadrilátero da Praça do Império, esta era definida lateralmente por dois grandes pavilhões, longitudinais e perpendiculares ao Mosteiro: o Pavilhão de Honra e de Lisboa (de Luís Cristino da Silva), e do outro lado, o Pavilhão dos Portugueses no Mundo (do próprio Cottinelli Telmo).
Perto do rio, atravessando-se a linha férrea através de uma passarela monumental de colossais cruzados (a Porta da Fundação), encontrava-se a Secção Histórica, (Pavilhão da Formação e Conquista, Pav. da Independência, Pav. dos Descobrimentos e a Esfera dos Descobrimentos). Do outro lado, situava-se o Pav. da Fundação, o Pav. do Brasil – país convidado para tal efeito, e o Pav. da Colonização. Atravessando o Bairro Comercial e Industrial, chega-se perto dos Jerónimos, à entrada da Secção Colonial. No canto precisamente oposto, um Parque de Atracções fazia a delícia dos mais novos. Descendo em direcção ao rio, e para além do Pav. dos Portugueses no Mundo, a Secção de Etnografia Metropolitana, com o seu Centro Regional, contendo representações das Aldeias Portuguesas e os Pavilhões da Vida Popular. Por trás deste último pavilhão, encontrava-se o Jardim dos Poetas e o Parque Infantil. À frente do Tejo, com as suas docas, um Espelho de Água com um restaurante abria o caminho para o Padrão dos Descobrimentos e para a Nau Portugal.
De todas estas obras, algumas se destacaram e perduram na memória da actualidade. O Pavilhão da Honra e de Lisboa recebeu as melhores opiniões da crítica. Com 150 metros de comprimento por 19 de altura, e com a sua torre de 50 metros, este pavilhão demonstrava perfeitamente o ideal arquitectónico que o Estado Novo tentava impor, tal como os outros regimes totalitários impunham na Europa. Do Pavilhão dos Portugueses no Mundo, com um risco “simples”, destacava-se sobretudo a possante estátua da Soberania, esculpida por Leopoldo de Almeida – a imagem de uma severa mulher couraçada, segurando a esfera armilar e apoiada num litor legendado com as partes do Mundo, em caracteres góticos.
O Padrão dos Descobrimentos, vindo dos esforços de Cottinelli e de Leopoldo de Almeida, mostrava a verdadeira importância dos descobrimentos na História portuguesa. Constituído por diversas figuras históricas, o Infante D. Henrique destacava-se na sua proa, como timoneiro de todo o projecto expansionista português. De facto, o padrão original, construído em estafe sobre um esqueleto de madeira, teve um triste fim – que abordaremos mais adiante. É de notar que a figura ficou tão presente no imaginário nacional, que o monumento foi reconstruído em 1965, mas desta vez em pedra, e ainda hoje se mantém nas margens do Tejo.
A Nau Portugal mostrou também ser uma magnífica reconstituição do passado. Um facto curioso é que apelidada de “nau”, esta embarcação era na realidade a réplica de um galeão da carreira da Índia do século XVII. Construída nos estaleiros de Aveiro, saiu a primeira vez com destino a Lisboa em Julho – sendo a sua inauguração solene a 8 de Setembro. No entanto, e por mau manuseamento da mesma, esta rapidamente se afundou minutos após a partida – tombou para o lado. Voltando atrás, com grandes esforços para se repor de pé a nau, acabou por ser pilotada até Lisboa por marinheiros ingleses, sob a direcção do comandante Spencer.
Encerrada a 2 de Dezembro, a Exposição recebeu cerca de três milhões de visitantes, constituindo o mais importante facto cultural do regime – regime este que sofreria a sua primeira crise política passados quatro anos, com o fim da Segunda Guerra Mundial e com a derrota dos regimes de Hitler e de Mussolini. (Wikipedia)

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Exposição do Mundo Português

A Exposição do Mundo Português merece ser considerada uma das grandes iniciativas político-culturais do Estado Novo, em razão dos meios empreguese do significado ideológico que lhe estava subjacente. Decorreu em 1940, no contexto de uma dupla comemoração: oito séculos depois de 1140, data entendida como a da independência nacional, e três séculos passados sobre a Restauração. 

Nesse período de comemorações e de grande atividade cultural realizou-se,por exemplo, o restauro de monumentos nacionais, a exposição dos "Primitivos Portugueses" e a reabertura do Teatro S. Carlos. Mas, do vasto programa de realizações culturais de 1940 destacava-se este evento. 

A opção estética adotada nas comemorações provocou violentas críticas por parte dos artistas académicos, que se sentiram negligenciados, liderados pelo Coronel Arnaldo Ressano Garcia, caricaturista e presidente da Sociedade Nacional de Belas-Artes (SNBA). Este proferiu duas conferências na SNBA, a19 e 20 de abril de 1939, onde atacou os modernistas, recorrendo ao exemplo de Hitler, que, segundo dizia, "varreu os museus de todas as imundices artísticas" ao contrário de Mussolini, muito citado por António Ferro, que na sua opinião se revelara um fracasso no plano artístico. Neste confronto quem ficou a perder foi Arnaldo Ressano Garcia e com ele os académicos, definitivamente afastados da ribalta cultural de então. Nesta era de grandiosas comemorações de datas importantes na história nacional, usadas como eficaz propaganda do regime, foi instalada no Terreiro de Beléma Exposição do Mundo Português, que tinha como presidente da Comissão Executiva Júlio Dantas. Entre os outros nomes em destaque encontravam-se António Ferro (responsável pela parte secretarial da Comissão Executiva) eCottinelli Telmo. 

A Exposição teve lugar na zona lisboeta de Belém, junto ao Rio Tejo. O certame era composto por secções de História, Etnografia e do Mundo Colonial. Entre os inúmeros pavilhões destacavam-se os seguintes: da Honrae de Lisboa (Cristino da Silva), da Fundação, Formação e Conquista, da Independência, dos Descobrimentos (Pardal Monteiro), da Colonização, dos Portugueses no Mundo (Cottinelli Telmo) e ligada a este o pavilhão de Portugal de 1940 dirigido por António Ferro; de Etnografia Metropolitana coma Reconstrução das Aldeias Portuguesas (Segurado), da Vida Popular (Veloso Reis), o colonial com a reprodução da vida ultramarina e o Pavilhão do Brasil do teorizador da Casa Portuguesa (Raul Lino), que parecia refletir o "glorioso prolongamento da nossa civilização atlântica". 
Do conjunto surgia a imagem de Portugal como cabeça de um majestoso império e dono de um passado de glórias invulgares. Junto da Torre de Belém foi montada uma caravela, da responsabilidade de Leitão de Barros e Martins Barata, e o "Padrão dos Descobrimentos" que, de uma forma simbólica encerravam a exposição. A direção e planificação dos trabalhos foi entregue a Cottinelli Telmo (1897-1948), um artista multifacetado, conhecido, sobretudo, pela sua obra arquitetónica. Nesta grandiosa realização cosmopolita trabalhou a maioria dos artistas modernistas (12 arquitetos, 19 escultores e 43 pintores), com a exceção de Soares, Eloy, Cassiano Branco e Keil do Amaral, numa época em que Portugal parecia alheado do resto da Europa a viver o horror da guerra.Aliás, esse era um dos objetivos do evento: demonstrar a eficácia governativa do regime, capaz de manter Portugal longe dos problemas mundiais devastadores, numa aparente atmosfera de progresso e de prosperidade. 

Em paralelo com a Exposição, fez-se um Congresso do Mundo Português, que contou com a participação de centenas de historiadores. Com a Exposição coincidiu ainda a efetivação de um ambicioso plano de obras públicas, com oarranque de muitos projetos, especialmente em Lisboa e arredores, e a inauguração de outros, como o Estádio Nacional.

Inauguração da Ponte Salazar sobre o Rio Tejo - 1966


banda sonora - português






Publicado em 13/03/2012 por 
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